Manual do que fazer para não ser feliz!



Quando decidi voltar a escrever, eu realmente não sabia por onde começar.
Pensei em falar sobre viagens, mas logo descartei, não sou boa com planejamento.
Minhas viagens costumam ter um roteiro tão aberto que até o Google Maps desiste. Pensei em ser crítica gastronômica, mas...perdi o olfato e o paladar e E como eu não sinto gosto de nada, ia acabar te indicando miojo gourmet e achando chique.

Mas foi fuçando as fotos e histórias que compartilhei em um dos meus perfis sociais que a ideia finalmente pousou na minha cabeça, igual borboleta doida (e já já você vai entender a referência). Se você olhar meu feed, até parece que eu sou uma daquelas pessoas que sabem o que estão fazendo com a própria vida. Spoiler: não sou. Mas dá pra conhecer um pouquinho da minha história. E, se olhar bem, vai perceber as mudanças, os tropeços, os recomeços e... as vergonhas públicas também.

Mas hoje não vim falar das fotos bonitas. Quero contar algo que nunca compartilhei: uma derrota. Uma escolha errada que me custou caro. Uma dor que doeu. Mas que também me empurrou pra frente, com chute, grito e talvez uma crise de choro no banheiro.

A maioria das pessoas adoram dizer o que você "deveria" fazer pra ser feliz: qual escola entrar, quantos amigos ter, qual carreira seguir, se deve casar, ter filhos, virar vegano, comprar uma air fryer... Mas ninguém te ensina o que fazer quando tudo dá errado. Quando o relacionamento ideal afunda, quando você perde alguém, ou quando percebe que a vida real não tem filtro nem legenda fofa.

Então, aqui estou. Com meu bom humor meio ácido, meio doce, pra compartilhar meu primeiro fracasso oficial. E te garantir: fracasso não é exclusividade sua. Bem-vindo ao clube. A única carteirinha de sócio é um coração amassado e uma boa história pra contar.

Minhas 3 certezas na vida:
  1. Você vai me ver errar tentando acertar. Repetidamente.
  2. Toda má escolha ensina alguma coisa — nem que seja a nunca mais repetir.
  3. Todo mundo vai morrer um dia. Mas, até lá, a gente vai viver todos os dias.
Você talvez esteja pensando: “Ah não! Mais uma tentando me ensinar a ser feliz…”

Calma. Aqui é diferente. Eu não vim ensinar o que fazer pra ser feliz. Vim compartilhar o Manual do que fazer para não ser feliz.

E a minha primeira lição começou aos meus três anos de idade.


Um lindo voo descompensado.

Antes de mais nada: não existe graduação de fracasso. Ou você acerta, ou erra. E quando você erra tentando acertar... dói. Não importa se o objetivo era escalar o Everest ou só abrir um pote de azeitonas. 
O fracasso vem e deixa seu autoconhecimento no modo hard.

Minha lembrança começa no quintal da frente da casa onde cresci. Havia um muro baixo, dois portões (um para carros, outro para gente), e um chão de mosaico que esquentava tanto no sol que dava pra fritar ovo. Mas minha parte favorita era a tal da caixa do registro, sim, onde ficava a água e a luz. Aquilo era meu mirante. Era só subir e ver o mundo. Ou, no caso, a rua.

Num dia ensolarado, lá estava eu, pequena, atrevida e com pouca noção de perigo. Quando, de repente... algo colorido voa sobre minha cabeça e pousa bem ali, do meu lado: uma borboleta. Mas não era qualquer borboleta. Era uma diva das borboletas. Uma modelo vestida de amarelo, preto e branco, desfilando asas como se estivesse numa passarela da Chanel dos insetos.

Hipnotizada, estiquei meu dedinho. E ela, talvez emocionada com minha coragem infantil, subiu e se acomodou no meu dedo indicador. A cena era digna de um curta-metragem da Disney, com trilha sonora fofa, slow motion e tudo. Mas então... eu olhei mais de perto. Eu ainda me pergunto: por quê meu Deus? Eu foquei minha visão no corpo dela e comecei a passear meus olhos naquilo que achava que seria uma contemplação de beleza, mas ele era todo preto, com pelinhos por todo lado. As pernas eram fininhas, e com as anteninhas do demo. E o encanto virou pânico.

O medo invadiu como tsunami. Meu dedo virou um parque de diversões do desespero: chacoalhava, tremia, fazia moonwalk. Mas a filha de uma lagarta se recusava a sair. Então eu gritei e comecei a chorar. Pra minha sorte, um senhor que passava na rua apareceu como um anjo do extermínio de insetos e, com a delicadeza de quem já teve netos em crise, retirou a borboleta do meu dedo.

Hoje, até encaro borboletas com respeito. São lindas. Mas continuo achando que o corpo delas parece obra inacabada da natureza, tipo uma fusão entre barata e fada.

Já imaginou uma mulher adulta dar xilique por causa de uma borboleta? Sim, eu, adulta, já fugi de borboleta em praça pública. Com grito e tudo. E sim, eu mesma rio disso toda vez.

Moral da história (ou quase isso)
  • Se você quer um passo a passo infalível de como não ser feliz, aqui vai:
  • Encante-se com algo só pela beleza.
  • Deixe esse encantamento te guiar até a decisão mais impulsiva possível.
  • Quando der ruim, finja que está tudo bem. Não grite. Não peça ajuda. Só surte internamente.
  • Nunca enfrente seus medos. Carregue-os com você como se fossem um chaveiro emocional.
  • Minta pra si mesmo dizendo que nada aconteceu.
Pronto. Agora é só repetir o processo e viver infeliz com estilo.

Mas ei, como eu disse no começo, não estou aqui pra dizer o que você deve ou não fazer. Estou aqui pra contar histórias. Reais ou imaginárias? Isso deixo pra sua intuição. O importante é: se te fez rir, pensar ou lembrar de uma borboleta, já valeu.

Nos vemos na próxima história ou na próxima brincadeira de Fabi.

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